Flamengo se manifesta contra a redução de estrangeiros no Brasileirão: 'não agrega valor'

Flamengo se manifesta contra a redução de estrangeiros no Brasileirão: 'não agrega valor'

O Flamengo expressou sua contrariedade em relação à decisão de limitar a presença de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro, uma medida que, segundo o clube, não traz benefícios ao futebol nacional.

Durante uma entrevista à ESPN, Marcos Motta, vice-presidente do setor jurídico do clube, destacou que a proposta aprovada pelos clubes das Séries A e B do Brasileirão não contribui para o fortalecimento do campeonato e que é fundamental observar modelos de sucesso adotados em outras ligas pelo mundo.

A nova regra estabelece que o número de atletas estrangeiros permitidos por partida será reduzido gradualmente, passando de nove em 2024 para oito em 2027, e assim sucessivamente até chegar a cinco em 2030. Motta, no entanto, acredita que existem maneiras mais eficazes de abrir espaço para jogadores formados no Brasil sem a necessidade de impor restrições.

“Existem outras maneiras de proteger o mercado local. Essa discussão não é nova e já acontece há muito tempo, até mesmo em nível europeu”, afirmou o dirigente, ao enfatizar que é possível buscar soluções que não precisem ser tão restritivas.

Ele também mencionou o sistema da Premier League como um exemplo que poderia inspirar a regulamentação brasileira. Na liga inglesa, os clubes têm um limite de 25 jogadores seniores, com regras específicas sobre a quantidade de atletas de certa idade e exigências para jogadores formados localmente, independentemente da nacionalidade.

Motta ressaltou que a análise de modelos já debatidos em outros mercados pode enriquecer a proposta brasileira, afirmando: “Não precisamos reinventar a roda. Podemos utilizar esses exemplos, especialmente aqueles que foram discutidos em termos jurídicos na Europa e que envolvem a movimentação de atletas na Comunidade Europeia”.

O dirigente do Flamengo também defendeu que a discussão não deve ser encerrada após a reunião da última segunda-feira (21), enfatizando que o debate deve seguir em frente. “A proposta discutida não deve acabar ali; deve continuar”, disse.

A redução do limite de estrangeiros foi sugerida pela CBF em uma reunião com os clubes, com o objetivo de atender a preocupações relacionadas ao Movimento de Clubes Formadores e à utilização de jovens jogadores. Um estudo apresentado pela CBF revelou uma queda de 40% nos minutos de jogo de atletas com menos de 23 anos desde que o limite de nove foi implementado.

Além disso, os dados mostram que a utilização máxima de estrangeiros ainda é rara. Em 2026, a média foi de 5,4 jogadores estrangeiros em cada partida, com apenas 4,3 efetivamente jogando. O limite de nove foi alcançado em apenas 29 dos 430 jogos analisados, representando cerca de 6% das partidas.

Porém, Motta acredita que o fato de a CBF estar conduzindo essa discussão de maneira consultiva permite que clubes e profissionais apresentem propostas antes de qualquer decisão final. “A CBF está se saindo bem ao seguir o que a FIFA denomina como um processo consultivo. Não é algo impositivo, é sempre uma conversa”, explicou.

Além da restrição ao número de estrangeiros, os clubes também aprovaram uma nova composição para as inscrições no Brasileirão. A partir de 2027, os clubes poderão inscrever até 50 jogadores, distribuídos em duas listas: a Lista A, com 30 atletas sem restrições de idade, e a Lista B, com 20 jogadores Sub-23, que não precisam ser formados pelo próprio clube.

A proporção dessas listas vai mudar gradualmente: em 2028, será de 29 na Lista A e 21 na Lista B; em 2029, 27 e 23, respectivamente; e, finalmente, em 2030, será mantido o equilíbrio de 25 jogadores em cada lista. O objetivo é ampliar as oportunidades para jogadores mais jovens.

O Flamengo reitera a importância de discutir o assunto e de avaliar diferentes modelos antes de qualquer implementação das novas regras. “O crucial é que o debate ocorra e que todos tenham a chance de expressar suas opiniões, sempre com o foco no produto que é o futebol brasileiro”, concluiu Motta.

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